O fichamento da vez é
sobre o texto “Escrever” de Andrea Vieira Zanella. Ela começa explanando um
pouco sobre como é o processo de escrita de uma pesquisa. Esse processo
apresenta vários estágios e facetas, como o percurso de investigação do objeto
e seus resultados, a problemática da pesquisa e as contribuições do pesquisador
para o tema, o referencial teórico que modela o olhar do pesquisador sobre o
tema estudado e as escolhas teórico-metodológicas utilizadas para fazer a
pesquisa. A escrita da pesquisa, para a autora, não é um processo posterior à
pesquisa, pois uma coisa depende da outra. Portanto, a escrita não é uma mera
transcrição de pensamento ou explanação do processo de pesquisa, mas é o seu
fundamento e condição para sua reinvenção.
Zanella explica que
escrever não é simplesmente transpor uma ideia prévia para o papel ou para a
tela de um computador, porque quando começamos a escrever nossos pensamentos
vão se modificando e se transformando podendo chegar até mesmo em outros
caminhos não pensados anteriormente sobre tal assunto pesquisado. “Escrita da pesquisa, desse modo, é muito
mais que relato: é narrativa da relação de quem escreve/pesquisa com a situação
investigada que possibilita a sua reinvenção, intempestiva e insistentemente.” Portanto,
para a autora, há algo de não traduzível no processo da escrita que se
apresenta como possibilidade de várias palavras, sentidos e diferentes caminhos
a serem seguidos.
Zanella aponta que quem
escreve faz uma escolha entre infindáveis possibilidades de caminhos, e por isso
para escrever é preciso escolher posicionamentos éticos, estéticos e políticos
que abrem o autor para um mundo de criticar e ser criticado. “A escrita da pesquisa é, pois, como um poliedro translúcido que
reflete e refrata a pesquisa e o pesquisador. É discurso, é criação de seu
autor a recriar a realidade em foco.” A escrita e a leitura da escrita
proporcionam uma abertura para outras leituras e diálogos entre textos e
pensamentos de diferentes autores. Portanto, é uma palavra que convida a várias
outras e não um processo fechado em si.
Para fechar o texto de
apenas duas páginas, a autora apresenta a escrita de pesquisa como forma de
reinventar o escrever. “Uma outra escrita
de pesquisa, não reificada que requer uma prática de pesquisa outra, atenta às
tensões entre as variadas vozes sociais que participam do debate comtemporâneo
sobre o conhecimento historicamente produzido ontem e hoje, bem como sobre os
horizontes plurais do próprio processo de produção de novos conhecimentos.”
Por hoje é só. Até
mais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário