sábado, 18 de abril de 2015

Wikinomics

Olá pessoas. Essa semana irei fazer o fichamento do texto Wikinomics, capítulo 1 que fala sobre a arte e a ciência do peering. Peering? O que é isso? Você irá descobrir agora.

O texto começa falando de uma nova era, a era do wikinomics, onde as pessoas estão participando cada vez mais da economia e podem colaborar na produção e distribuição de bens e serviços que antes eram de responsabilidade única das grandes empresas. É aí que entra o negócio do peering, que é a descrição da colaboração entre pessoas e empresas com objetivo de impulsionar o crescimento e a inovação dos produtos e serviços de vários ramos de produção. Alguns exemplos de peering são o Myspace, Youtube, Linux e, claro, nossa querida Wikipédia.

O peering demonstra ser uma atividade social, pois para fazer parte da economia você só precisa de um computador e muita criatividade. E essa criatividade pode ser utilizada não somente para fins comerciais, pois o peering também serve para a colaboração de pesquisas sobre doenças genéticas, descoberta de novos planetas, alerta de mudanças climáticas, etc. Mas para algumas empresas, que não conseguem se encaixar nessa nova realidade tecnológica, o peering é uma ameaça à sua produção e pode significar o fim da economia industrial. Mas para as empresas inteligentes, que conseguem ir além dos próprios muros, essa nova realidade traz mais oportunidades de inovação e crescimento.

A ciência da wikinomics se baseia em quatro novas ideias: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Esses são os novos princípios que devem ser utilizados para impulsionar a inovação em todos os ramos da economia. A abertura se relaciona com a necessidade das empresas de sair de sua zona de conforto e procurar novos talentos, novas formas de inovação fora de seus padrões e processos internos. As empresas precisam abrir suas portas e distribuir suas informações para novos parceiros para reduzir os custos de transação e agilizar o metabolismo das redes de produção empresariais.

O peering, como já foi explicado, é um princípio que traz a colaboração de informações e talentos para o desenvolvimento da economia. Com ele, o modelo hierárquico de organização das empresas é substituído por uma rede de compartilhamento de ideias que ajuda no desenvolvimento de projetos de todos os tipos e traz um novo significado para a palavra colaboração. O maior impacto do peering é na produção de bens de informação, como mídia, entretenimento, cultura, mas não há razão para ele parar por aí.

O princípio do compartilhamento pode ser bem controverso, pois as empresas precisam proteger a propriedade intelectual crítica. Porém essas empresas também precisam contribuir com espaços comuns de tecnologia e conhecimento para que possam acelerar o crescimento e a inovação. Principalmente quando esse compartilhamento pode ser feito livremente entre os consumidores na rede. Óbvio que as pessoas vão preferir um cantor que lança 2 álbuns e compartilha o download gratuito do terceiro álbum na internet do que um cantor que não quer abrir mão de sua propriedade intelectual.

O ultimo princípio diz que as empresas precisam agir globalmente. Monitorar globalmente as mudanças nos negócios, utilizar talentos globais, conhecer o mundo, seus mercados, tecnologias e pessoas é a única forma de conseguir competir nesse novo mundo empresarial globalizado. Para isso é necessário “gerenciar os ativos humanos e intelectuais em várias culturas, disciplinas e fronteiras organizacionais” para que permaneça globalmente competitivo e continue tendo espaço para inovar e produzir.

Em resumo, no mundo da wikinomics cada indivíduo tem um papel importante a desempenhar na economia e cada empresa tem a escolha de se acomodar ou se conectar a essa nova forma de colaboração e tirar dessa situação a oportunidade de inovar e se desenvolver nesse mercado cada vez mais competitivo. Essa economia da colaboração fez surgir um novo tipo de economia, onde as empresas coexistem e se conectam com produtores autônomos e juntos criam valor nas redes. Portanto, quem não colabora sucumbe a essa nova e interessante era de mudanças.

Isso é tudo pessoal.

See ya,

Michelly Lira

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Redes sociais na Internet - Raquel Recuero

No texto de hoje falaremos sobre as redes sociais estabelecidas através da comunicação na internet que a autora diz que o interesse por esses estudos vem desde o século XX. O artigo trabalha a partir da perspectiva da análise estrutural das redes sociais e suas aplicações na comunicação mediada pelo computador. Para isso precisa- se estudar primeiro as teorias das redes.

“A análise das redes sociais parte de duas grandes visões do objeto de estudo: as redes inteiras (whole networks) e as redes personalizadas (ego-centered networks) ([Watts, 2003], [Degenne e Forsé, 1999], [Wellman, 1999, 2001 e 2003] e [Garton et. al, 1997])” A primeira visão tem seu foco na estruturação da rede com o grupo social e a segunda visão tem foco no papel social de um indivíduo no grupo. Portanto, o foco da análise de redes sociais são os padrões de relações que existem entre as pessoas. ‘’Para ir além dos atributos individuais e considerar as relações entre os atores sociais, a análise das redes sociais busca focar-se em novas "unidades de análise", tais como: relações (caracterizadas por conteúdo, direção e força), laços sociais (que conectam pares de atores através de uma ou mais relações), multiplexidade (quanto mais relações um laço social possui, maior a sua multiplexidade) e composição do laço social (derivada dos atributos individuais dos atores envolvidos).’’

Os sociólogos inicialmente acreditavam em unidades básicas das redes sociais, como as díades (relação entre duas pessoas) e as tríades (relação entre duas pessoas e mais um amigo em comum). Pensando assim, a análise estrutural tem foco na interação como meio fundamental do estabelecimento de relações sociais entre os indivíduos que constituem essas redes, seja no mundo real ou virtual.

Com o passar do tempo foram sendo criados modelos que tentavam explicar as características e as propriedades dessas redes sociais. “Para Watts, é preciso levar em conta que nas redes, os elementos estão sempre em ação, "fazendo algo", e que elas são dinâmicas, estão evoluindo e mudando com o tempo. Portanto, a questão crucial para a compreensão dessas redes sociais passava também pela sua dinâmica de sua construção e manutenção.” Ele acreditava que essa estrutura não era determinada, mas sim mutante no tempo e no espaço.

O modelo de redes aleatórias defendido por Paul Erdos e Alfred Rényi dizia que a conexão entre as pessoas para se formar a rede social era randômica. “Eles acreditavam que o processo de formação dos grafos era randômico, no sentido de que esses nós se agregavam aleatoriamente. Dessa premissa, Erdös e Rényi concluíram que todos os nós, em uma determinada rede, deveriam ter mais ou menos a mesma quantidade de conexões, ou igualdade nas chances de receber novos links, constituindo-se, assim, como redes igualitárias (Barabási, 2003: 9-24). Para os autores, quanto mais complexa era a rede analisada, maiores as chances dela ser randômica.”

Já o sociólogo Mark Granovetter acreditava que os laços fracos eram muito mais importantes na manutenção da rede social do que os laços fortes. “Granovetter mostrou também que pessoas que compartilhavam laços fortes (de amigos próximos, por exemplo) em geral participavam de um mesmo círculo social (de um mesmo grupo que seria altamente clusterizado). Já aquelas pessoas com quem se tinha um laço mais fraco, ou seja, conhecidos ou amigos distantes, eram justamente importantes porque conectariam vários grupos sociais. Sem elas, os vários clusters existiriam como ilhas isoladas e não como rede.” Assim, para ele, as redes sociais não são simplesmente randômicas, mas há nelas alguma ordem. 

Com a mesma linha de raciocínio em relação à ordem na estruturação das redes sociais Barabási denominou uma lei chamada "rich get richer- ricos ficam mais ricos.” Sobre esta ele explica que “As redes não seriam constituídas de nós igualitários, ou seja, com a possibilidade de ter, mais ou menos, o mesmo número de conexões. Ao contrário, tais redes possuriam nós que seriam altamente conectados (hubs ou conectores) e uma grande maioria de nós com poucas conexões. Os hubs seriam os "ricos", que tenderiam a receber sempre mais conexões. As redes com essas características foram denominadas por ele "sem escalas"13 (scale free).”

Há uma crítica em relação ao Orkut. A autora diz que ele não poderia ser considerado uma rede social visto que a interação social não é pressuposto para a conexão e muitas vezes é até dispensável. Ela explica que “A dinâmica do estabelecimento dos laços sociais como a de "ricos que ficam mais ricos" é de difícil análise neste software. Isso porque as pessoas populares atuam voluntariamente no estabelecimento de conexões, não sendo possível falar em "conexão preferencial", na medida em que não são os novos nós que se conectam aos hubs, mas estes que se conectam aos novos nós com o objetivo de aumentar a popularidade. O que observamos é que existe algum tipo de "conexão preferencial"unicamente com relação a atitude dos novos nós de procurarem "conhecidos" e tentar adicioná-los como amigos, na tentativa de reproduzir redes sociais do mundo offline.”

Ainda dando exemplos de redes sociais a autora cita os weblogs e fotologs e diz que cada um representa um indivíduo ou um grupo e a exposição de sua individualidade. “Um weblog poderia ser considerado um hub social na medida em que muitas pessoas relacionamse com o blogueiro através dos comentários. Do mesmo modo, um fotolog pode ser um hub na medida em que possui muitas conexões sociais entre as pessoas que ali interagem.” Nesses sistemas a interação é muito mais fácil de ser observada visto que ela se repete, pois é feita através de comentários e cada um destes pode ser considerado uma nova conexão. 

A autora faz uma crítica aos modelos de estruturação das redes sociais feitos pelos autores citados. Pois ela diz que todos pecaram ao se esquecer que as propriedades dessas estruturas são determinadas pelas interações em si, pois essas redes não são estáticas e sim muito dinâmicas. Portanto, ela afirma que “os modelos de análise das redes propostos por Erdös e Rényi, Watts e Strogatz e Barabási são insuficientes no sentido de perceber as complexidades de uma rede social na Internet. Isso porque esses modelos, apesar de afirmarem sua aplicabilidade para as redes sociais, falham em levar em conta as premissas mais básicas da análise social.”

Em conclusão, a autora afirma que todos os modelos apontados apresentam falhas quando aplicados às redes sociais na Internet por dar mais valor à natureza matemática do que investigativa sobre as conexões e pela falta de importância dada à interação para a constituição dos laços formados entre as pessoas nas redes sociais.

Isso é tudo pessoal.

See ya,

Michelly Lira.