Olá pessoas.
Hoje o fichamento será sobre o texto “Notas sobre a experiência e o saber de experiência*”
de Jorge Larrosa Bondía. Ele começa o texto falando sobre a diferença no campo
pedagógico entre os chamados técnicos e críticos. Para Jorge, é importante
pensar a educação não como ciência aplicada ou social, mas a partir do par
experiência/sentido. O autor resolve então, explicar o que, para ele,
significam essas duas palavras. A experiência seria o que acontece com a gente
no dia-a-dia e o que nos toca de alguma forma. E a informação seria o contrário
da experiência, pois aquele que busca informação o tempo inteiro consegue com
que nada lhe aconteça de verdade. “(...) o
que eu quero apontar aqui é que uma sociedade constituída sob o signo da informação
é uma sociedade na qual a experiência é impossível.” Outro problema seria a
opinião. Para Jorge as pessoas de hoje têm que ter uma opinião formada sobre
tudo e todos e isso faz com que também nada lhes aconteça. E quando se junta
informação com opinião se tem o periodismo que para ele transforma as pessoas
em seres fabricados e manipulados pelos aparatos da informação e da opinião,
seres incapazes de terem experiência.
Outro grande
inimigo da experiência é a falta de tempo. No mundo moderno as coisas acontecem
numa velocidade muito grande e nossa obsessão pela novidade, por substituir as
coisas por outras mais novas com uma rapidez inexplicável nos impede de ter
experiência. Segundo o autor, o excesso de trabalho, de atividade, também nos
faz perder experiência. “Nós somos
sujeitos ultra-informados, transbordantes de opiniões e superestimulados, mas
também sujeitos cheios de vontade e hiperativos. E por isso, porque sempre
estamos querendo o que não é, porque estamos sempre em atividade, porque
estamos sempre mobilizados, não podemos parar. E, por não podermos parar, nada
nos acontece.” Ele finaliza dizendo que é incapaz de experiência o sujeito
que não se “ex-põe”, não se coloca no mundo, não deixa que nada lhe aconteça.
Jorge também
fala que a experiência pode ser explicada como um tipo de paixão ou uma
reflexão do sujeito sobre si mesmo de uma forma passional. E essa “paixão”,
pode se referir a várias coisas, como um sofrimento, liberdade, amor. O saber
da experiência também é algo importante e sobre ele o autor fala que “Este é o saber da experiência: o que se
adquire no modo como alguém vai respondendo ao que vai lhe acontecendo ao longo
da vida e no modo como vamos dando sentido ao acontecer do que nos acontece. No
saber da experiência não se trata da verdade do que são as coisas, mas do
sentido ou do sem-sentido do que nos acontece.”
A experiência é
algo singular, portanto mesmo se tratando de um acontecimento com duas pessoas
terão dois tipos de experiências diferentes. E tudo que faz impossível a
experiência pode fazer impossível também a própria existência. O autor fala que
esse tipo de experiência já não existe mais no mundo moderno. “A vida humana se fez pobre e necessitada, e
o conhecimento moderno já não é o saber ativo que alimentava, iluminava e
guiava a existência dos homens, mas algo que flutua no ar, estéril e desligado dessa
vida em que já não pode encarnar-se.” A experiência é algo irrepetível,
incerta, sem antecipação, é uma abertura para o desconhecido.
E é isso. Até
mais.
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