segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Notas sobre a experiência e o saber de experiência

Olá pessoas. Hoje o fichamento será sobre o texto “Notas sobre a experiência e o saber de experiência*” de Jorge Larrosa Bondía. Ele começa o texto falando sobre a diferença no campo pedagógico entre os chamados técnicos e críticos. Para Jorge, é importante pensar a educação não como ciência aplicada ou social, mas a partir do par experiência/sentido. O autor resolve então, explicar o que, para ele, significam essas duas palavras. A experiência seria o que acontece com a gente no dia-a-dia e o que nos toca de alguma forma. E a informação seria o contrário da experiência, pois aquele que busca informação o tempo inteiro consegue com que nada lhe aconteça de verdade. “(...) o que eu quero apontar aqui é que uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade na qual a experiência é impossível.” Outro problema seria a opinião. Para Jorge as pessoas de hoje têm que ter uma opinião formada sobre tudo e todos e isso faz com que também nada lhes aconteça. E quando se junta informação com opinião se tem o periodismo que para ele transforma as pessoas em seres fabricados e manipulados pelos aparatos da informação e da opinião, seres incapazes de terem experiência.

Outro grande inimigo da experiência é a falta de tempo. No mundo moderno as coisas acontecem numa velocidade muito grande e nossa obsessão pela novidade, por substituir as coisas por outras mais novas com uma rapidez inexplicável nos impede de ter experiência. Segundo o autor, o excesso de trabalho, de atividade, também nos faz perder experiência. “Nós somos sujeitos ultra-informados, transbordantes de opiniões e superestimulados, mas também sujeitos cheios de vontade e hiperativos. E por isso, porque sempre estamos querendo o que não é, porque estamos sempre em atividade, porque estamos sempre mobilizados, não podemos parar. E, por não podermos parar, nada nos acontece.” Ele finaliza dizendo que é incapaz de experiência o sujeito que não se “ex-põe”, não se coloca no mundo, não deixa que nada lhe aconteça.

Jorge também fala que a experiência pode ser explicada como um tipo de paixão ou uma reflexão do sujeito sobre si mesmo de uma forma passional. E essa “paixão”, pode se referir a várias coisas, como um sofrimento, liberdade, amor. O saber da experiência também é algo importante e sobre ele o autor fala que “Este é o saber da experiência: o que se adquire no modo como alguém vai respondendo ao que vai lhe acontecendo ao longo da vida e no modo como vamos dando sentido ao acontecer do que nos acontece. No saber da experiência não se trata da verdade do que são as coisas, mas do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece.”

A experiência é algo singular, portanto mesmo se tratando de um acontecimento com duas pessoas terão dois tipos de experiências diferentes. E tudo que faz impossível a experiência pode fazer impossível também a própria existência. O autor fala que esse tipo de experiência já não existe mais no mundo moderno. “A vida humana se fez pobre e necessitada, e o conhecimento moderno já não é o saber ativo que alimentava, iluminava e guiava a existência dos homens, mas algo que flutua no ar, estéril e desligado dessa vida em que já não pode encarnar-se.” A experiência é algo irrepetível, incerta, sem antecipação, é uma abertura para o desconhecido.


E é isso. Até mais.

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