No texto de hoje falaremos sobre as redes
sociais estabelecidas através da comunicação na internet que a autora diz que o interesse
por esses estudos vem desde o século XX. O artigo trabalha a partir da
perspectiva da análise estrutural das redes sociais e suas aplicações na comunicação
mediada pelo computador. Para isso precisa- se estudar primeiro as teorias das
redes.
“A análise das redes sociais parte de duas grandes visões
do objeto de estudo: as redes inteiras (whole
networks) e as redes personalizadas (ego-centered networks) ([Watts, 2003], [Degenne e Forsé, 1999],
[Wellman, 1999, 2001 e 2003] e [Garton et.
al, 1997])”
A primeira visão tem seu foco na estruturação da rede com o grupo social e a
segunda visão tem foco no papel social de um indivíduo no grupo. Portanto, o
foco da análise de redes sociais são os padrões de relações que existem entre
as pessoas. ‘’Para ir além dos atributos
individuais e considerar as relações entre os atores sociais, a análise das
redes sociais busca focar-se em novas "unidades de análise", tais
como: relações (caracterizadas por conteúdo, direção e força), laços sociais (que
conectam pares de atores através de uma ou mais relações), multiplexidade
(quanto mais relações um laço social possui, maior a sua multiplexidade) e
composição do laço social (derivada dos atributos individuais dos atores envolvidos).’’
Os sociólogos
inicialmente acreditavam em unidades básicas das redes sociais, como as díades
(relação entre duas pessoas) e as tríades (relação entre duas pessoas e mais um
amigo em comum). Pensando assim, a análise estrutural tem foco na interação
como meio fundamental do estabelecimento de relações sociais entre os
indivíduos que constituem essas redes, seja no mundo real ou virtual.
Com o passar do tempo
foram sendo criados modelos que tentavam explicar as características e as propriedades
dessas redes sociais. “Para Watts, é
preciso levar em conta que nas redes, os elementos estão sempre em ação,
"fazendo algo", e que elas são dinâmicas, estão evoluindo e mudando com
o tempo. Portanto, a questão crucial para a compreensão dessas redes sociais passava
também pela sua dinâmica de sua construção e manutenção.” Ele acreditava
que essa estrutura não era determinada, mas sim mutante no tempo e no espaço.
O modelo de redes
aleatórias defendido por Paul Erdos e Alfred Rényi dizia que a conexão entre as
pessoas para se formar a rede social era randômica. “Eles acreditavam que o processo de formação dos grafos era randômico,
no sentido de que esses nós se agregavam aleatoriamente. Dessa premissa, Erdös
e Rényi concluíram que todos os nós, em uma determinada rede, deveriam ter mais
ou menos a mesma quantidade de conexões, ou igualdade nas chances de receber
novos links, constituindo-se, assim, como redes igualitárias (Barabási,
2003: 9-24). Para os autores, quanto mais complexa era a rede analisada,
maiores as chances dela ser randômica.”
Já o sociólogo Mark
Granovetter acreditava que os laços fracos eram muito mais importantes na manutenção
da rede social do que os laços fortes. “Granovetter
mostrou também que pessoas que compartilhavam laços fortes (de amigos próximos,
por exemplo) em geral participavam de um mesmo círculo social (de um mesmo
grupo que seria altamente clusterizado). Já aquelas pessoas com quem se tinha
um laço mais fraco, ou seja, conhecidos ou amigos distantes, eram justamente
importantes porque conectariam vários grupos sociais. Sem elas, os vários
clusters existiriam como ilhas isoladas e não como rede.” Assim, para ele,
as redes sociais não são simplesmente randômicas, mas há nelas alguma ordem.
Com
a mesma linha de raciocínio em relação à ordem na estruturação das redes
sociais Barabási denominou uma lei chamada "rich get richer- ricos ficam
mais ricos.” Sobre esta ele explica que “As
redes não seriam constituídas de nós igualitários, ou seja, com a possibilidade
de ter, mais ou menos, o mesmo número de conexões. Ao contrário, tais redes
possuriam nós que seriam altamente conectados (hubs ou conectores) e uma grande maioria de nós com poucas
conexões. Os hubs seriam os
"ricos", que tenderiam a receber sempre mais conexões. As redes com
essas características foram denominadas por ele "sem escalas"13 (scale free).”
Há uma crítica em
relação ao Orkut. A autora diz que ele não poderia ser considerado uma rede
social visto que a interação social não é pressuposto para a conexão e muitas
vezes é até dispensável. Ela explica que “A
dinâmica do estabelecimento dos laços sociais como a de "ricos que ficam
mais ricos" é de difícil análise neste software. Isso porque as
pessoas populares atuam voluntariamente no estabelecimento de conexões, não
sendo possível falar em "conexão preferencial", na medida em que não
são os novos nós que se conectam aos hubs,
mas estes que se conectam aos novos nós com o objetivo de aumentar a popularidade. O que observamos é que existe
algum tipo de "conexão preferencial"unicamente com relação a atitude
dos novos nós de procurarem "conhecidos" e tentar adicioná-los como
amigos, na tentativa de reproduzir redes sociais do mundo offline.”
Ainda dando exemplos
de redes sociais a autora cita os weblogs e fotologs e diz que cada um
representa um indivíduo ou um grupo e a exposição de sua individualidade. “Um weblog poderia ser considerado um hub
social na medida em que muitas pessoas relacionamse com o blogueiro através dos
comentários. Do mesmo modo, um fotolog pode ser um hub na medida em que possui
muitas conexões sociais entre as pessoas que ali interagem.” Nesses
sistemas a interação é muito mais fácil de ser observada visto que ela se
repete, pois é feita através de comentários e cada um destes pode ser
considerado uma nova conexão.
A autora faz uma crítica aos modelos de
estruturação das redes sociais feitos pelos autores citados. Pois ela diz que
todos pecaram ao se esquecer que as propriedades dessas estruturas são determinadas
pelas interações em si, pois essas redes não são estáticas e sim muito
dinâmicas. Portanto, ela afirma que “os
modelos de análise das redes propostos por Erdös e Rényi, Watts e Strogatz e
Barabási são insuficientes no sentido de perceber as complexidades de uma rede social
na Internet. Isso porque esses modelos, apesar de afirmarem sua
aplicabilidade para as redes sociais, falham em levar em conta as premissas
mais básicas da análise social.”
Em conclusão, a
autora afirma que todos os modelos apontados apresentam falhas quando aplicados
às redes sociais na Internet por dar mais valor à natureza matemática do que
investigativa sobre as conexões e pela falta de importância dada à interação
para a constituição dos laços formados entre as pessoas nas redes sociais.
Isso é tudo pessoal.
See ya,
Michelly Lira.