sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Escrever (Andrea Vieira Zanella)

O fichamento da vez é sobre o texto “Escrever” de Andrea Vieira Zanella. Ela começa explanando um pouco sobre como é o processo de escrita de uma pesquisa. Esse processo apresenta vários estágios e facetas, como o percurso de investigação do objeto e seus resultados, a problemática da pesquisa e as contribuições do pesquisador para o tema, o referencial teórico que modela o olhar do pesquisador sobre o tema estudado e as escolhas teórico-metodológicas utilizadas para fazer a pesquisa. A escrita da pesquisa, para a autora, não é um processo posterior à pesquisa, pois uma coisa depende da outra. Portanto, a escrita não é uma mera transcrição de pensamento ou explanação do processo de pesquisa, mas é o seu fundamento e condição para sua reinvenção.

Zanella explica que escrever não é simplesmente transpor uma ideia prévia para o papel ou para a tela de um computador, porque quando começamos a escrever nossos pensamentos vão se modificando e se transformando podendo chegar até mesmo em outros caminhos não pensados anteriormente sobre tal assunto pesquisado. “Escrita da pesquisa, desse modo, é muito mais que relato: é narrativa da relação de quem escreve/pesquisa com a situação investigada que possibilita a sua reinvenção, intempestiva e insistentemente.” Portanto, para a autora, há algo de não traduzível no processo da escrita que se apresenta como possibilidade de várias palavras, sentidos e diferentes caminhos a serem seguidos.

Zanella aponta que quem escreve faz uma escolha entre infindáveis possibilidades de caminhos, e por isso para escrever é preciso escolher posicionamentos éticos, estéticos e políticos que abrem o autor para um mundo de criticar e ser criticado. “A escrita da pesquisa é, pois, como um poliedro translúcido que reflete e refrata a pesquisa e o pesquisador. É discurso, é criação de seu autor a recriar a realidade em foco.” A escrita e a leitura da escrita proporcionam uma abertura para outras leituras e diálogos entre textos e pensamentos de diferentes autores. Portanto, é uma palavra que convida a várias outras e não um processo fechado em si.

Para fechar o texto de apenas duas páginas, a autora apresenta a escrita de pesquisa como forma de reinventar o escrever. “Uma outra escrita de pesquisa, não reificada que requer uma prática de pesquisa outra, atenta às tensões entre as variadas vozes sociais que participam do debate comtemporâneo sobre o conhecimento historicamente produzido ontem e hoje, bem como sobre os horizontes plurais do próprio processo de produção de novos conhecimentos.”


Por hoje é só. Até mais. 

Um outro conceito de criação (Cesarino e Cohn)

O fichamento de hoje é sobre o texto “Temos que criar um outro conceito de criação” de Pedro Cesarino e Sergio Cohn. Os autores começam citando o fato de que há autores como Hakim Bey que são desconhecidos dos estudiosos brasileiros e que a cultura que conhecemos e consumimos dos EUA é de direita e a cultura de esquerda é muito mais de influência europeia. Depois os autores começam a falar sobre os movimentos culturais que ocorreram no Brasil como o tropicalismo e dizem que depois dele não houve mais nenhum movimento cultural de mesma escala. Sobre o tropicalismo os autores afirmam:

“O tropicalismo unia finalmente Vicente Celestino e John Cage, a cultura popular e a cultura erudita, passando estrategicamente pela cultura pop, que foi a grande bandeira deles. Tudo isso veio evidentemente da antropofagia oswaldiana, a reflexão meta-cultural mais original produzida na América Latina até hoje. A antropofagia foi a única contribuição realmente anti-colonialista que geramos, contribuição que anacronizou completa e antecipadamente o célebre clichê cebrapiano-marxista sobre as ”idéias fora do lugar”. Ela jogava os índios para o futuro e para o ecúmeno; não era uma teoria do nacionalismo, da volta às raízes, do indianismo. Era e é uma teoria realmente revolucionária...” (p. 168)

Cesarino e Cohn dizem que haviam muitos conflitos no Brasil e o tropicalismo veio para resolver esses conflitos de alguma forma e que é a única teoria de libertação e autonomia culturais produzida na América Latina. Sobre o Brasil os autores também afirmam que todos diziam que ele seria o país do futuro, mas que na verdade o futuro é que virou Brasil. E essa brasilização seria o reverso do que o tropicalismo estava tentando fazer. Falam também que teria surgido dois projetos nacionais, um de descobrir a identidade nacional do Brasil e o outro de desinventar o Brasil. E sobre esses dois projetos os autores falam que:

“Uma frase que vivo repetindo é que o Brasil é grande, mas o mundo é pequeno; então não adi anta ficar pensando só no Brasil. Essa frase tem a ver com um projeto hegemônico dentro do governo, baseado na soja, na agropecuária predatória, na industrialização, em um projeto que quer transformar o Brasil nos EUA do século XXI. O Brasil que quer ser os EUA quando crescer, que quer transformar seu interior inteiro numa espécie de Iowa ou Idaho, plantado de cabo a rabo de soja ou de cana e mamona para biodiesel. E na costa do país prolierando uma profusão de Miamis, Bangkoks, puteiros à beira-mar, bandidagem colorida, violência espetacular. Ou seja, o Rio de Janeiro. Esse é o projeto nacional-popular: “tragam a poluição”, “vamos industrializar”, “viva o agronegócio”; e nas horas vagas, “vamos valorizar o folclore nacional”.” (p. 172)

Sobre a questão da brasilidade, eles explicam que para fazer algo, produzir algo, deve-se esquecer dessa questão e qualquer outra questão de identidade, cultura, língua. O importante é olhar para fora e não bancar sempre o dominado. Até porque o Brasil sempre foi visto de fora. Só quem fala no Brasil sobre o Brasil é a elite que manda no país. Elite esta que denomina como maior problema nacional o povo. Para os autores esse problema nacional é da elite para a elite, pois o povo de verdade está preocupado com outras questões.

Em relação ao avanço da tecnologia e da busca por informação os autores falam que a internet foi uma forma de democratizar a distribuição do conhecimento e da informação e sobre ela eles afirmam que:

“A cultura ocidental vai se universalizar e, no que ela se universalizar em termos de extensão, ela vai se particularizar em termos de compressão, vai se tornar cada vez mais caótica internamente, cada vez mais divida, produzindo toda sorte de esquisitices e originalidades e assim por diante. A Internet vai ser um pouco isso...” (p.177)

Eles apresentam o Creative Commons como um processo altamente meritório que tenta manter a informação como um bem de domínio público. O que não significa plagiar trabalhos, mas facilitar a circulação de informação no mundo virtual. “O creative commons é uma tentativa de reconstituir esse regime da apropriação comum, do uso comum, do uso coletivo, no plano dos bens intelectuais, dos bens imateriais.” Para os autores o Creative Commons é um grande avanço intelectual. É uma forma de apresentar uma nova criação, que mostra que você sempre cria a partir de algo que já existe e que por isso não existe criação absoluta. Sobre essa questão de criação e cópia os autores explicam que:

“É, na verdade, toda nossa teoria da criação é a de que existe uma oposição radical, uma oposição intransponível entre criação e cópia. O criar e o copiar são os dois extremos de um processo, quer dizer, o criador é aquele que precisamente tira de si tudo o que precisa, e o plagiário é aquele que tira dos outros. O plagiário é um saqueador, e o criador é o doador absoluto.” (p.183)


Por isso, os autores afirmam que se deve criar uma nova forma de criação, uma que não seja nem estritamente artística, nem estritamente científica. Uma criação que seja de interesse de todos e não das elites. Uma criação democrática que permita a todos criar e ter acesso a todo tipo de criação. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Notas sobre a experiência e o saber de experiência

Olá pessoas. Hoje o fichamento será sobre o texto “Notas sobre a experiência e o saber de experiência*” de Jorge Larrosa Bondía. Ele começa o texto falando sobre a diferença no campo pedagógico entre os chamados técnicos e críticos. Para Jorge, é importante pensar a educação não como ciência aplicada ou social, mas a partir do par experiência/sentido. O autor resolve então, explicar o que, para ele, significam essas duas palavras. A experiência seria o que acontece com a gente no dia-a-dia e o que nos toca de alguma forma. E a informação seria o contrário da experiência, pois aquele que busca informação o tempo inteiro consegue com que nada lhe aconteça de verdade. “(...) o que eu quero apontar aqui é que uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade na qual a experiência é impossível.” Outro problema seria a opinião. Para Jorge as pessoas de hoje têm que ter uma opinião formada sobre tudo e todos e isso faz com que também nada lhes aconteça. E quando se junta informação com opinião se tem o periodismo que para ele transforma as pessoas em seres fabricados e manipulados pelos aparatos da informação e da opinião, seres incapazes de terem experiência.

Outro grande inimigo da experiência é a falta de tempo. No mundo moderno as coisas acontecem numa velocidade muito grande e nossa obsessão pela novidade, por substituir as coisas por outras mais novas com uma rapidez inexplicável nos impede de ter experiência. Segundo o autor, o excesso de trabalho, de atividade, também nos faz perder experiência. “Nós somos sujeitos ultra-informados, transbordantes de opiniões e superestimulados, mas também sujeitos cheios de vontade e hiperativos. E por isso, porque sempre estamos querendo o que não é, porque estamos sempre em atividade, porque estamos sempre mobilizados, não podemos parar. E, por não podermos parar, nada nos acontece.” Ele finaliza dizendo que é incapaz de experiência o sujeito que não se “ex-põe”, não se coloca no mundo, não deixa que nada lhe aconteça.

Jorge também fala que a experiência pode ser explicada como um tipo de paixão ou uma reflexão do sujeito sobre si mesmo de uma forma passional. E essa “paixão”, pode se referir a várias coisas, como um sofrimento, liberdade, amor. O saber da experiência também é algo importante e sobre ele o autor fala que “Este é o saber da experiência: o que se adquire no modo como alguém vai respondendo ao que vai lhe acontecendo ao longo da vida e no modo como vamos dando sentido ao acontecer do que nos acontece. No saber da experiência não se trata da verdade do que são as coisas, mas do sentido ou do sem-sentido do que nos acontece.”

A experiência é algo singular, portanto mesmo se tratando de um acontecimento com duas pessoas terão dois tipos de experiências diferentes. E tudo que faz impossível a experiência pode fazer impossível também a própria existência. O autor fala que esse tipo de experiência já não existe mais no mundo moderno. “A vida humana se fez pobre e necessitada, e o conhecimento moderno já não é o saber ativo que alimentava, iluminava e guiava a existência dos homens, mas algo que flutua no ar, estéril e desligado dessa vida em que já não pode encarnar-se.” A experiência é algo irrepetível, incerta, sem antecipação, é uma abertura para o desconhecido.


E é isso. Até mais.

sábado, 17 de outubro de 2015

Projeto de pesquisa científica

Olá pessoas. Depois de um tempo parado, resolvi voltar com os fichamentos aqui no blog. Os próximos posts serão de textos relacionados à metodologia de pesquisa. Então quem se interessa pelo assunto fique ligado.

O primeiro texto fichado é: “Metodologia científica: desafios e caminhos”. Falaremos sobre a unidade 2 – projeto de pesquisa científica. O autor começa explicando que o projeto é o primeiro e importantíssimo passo para a produção de uma pesquisa. Para isso, é preciso seguir alguns passos sequenciais organizados logicamente que darão uma ideia geral do seu projeto. Por isso é importante que se guarde rascunhos de todo o processo. O primeiro passo é a escolha do tema, que é uma ideia geral sobre o fenômeno a ser estudado. O segundo passo é a escolha do assunto, que é o olhar do pesquisador direcionado para um foco específico sobre o tema. O terceiro passo é o levantamento bibliográfico. “Quanto maior a diversificação de fontes e o numero de publicações sobre o asssunto, mais bem solidificado será o projeto de trabalho”. A leitura desse material é super importante para a construção do embasamento teórico do projeto. Outro passo importante é a delimitação do assunto. Essa delimitação precisa ser clara e objetiva, pois quando a delimitação é bem elaborada todos os outros itens vão se conectando de forma lógica durante o desenvolvimento do projeto. “Quanto mais delimitado for o assunto, maior a profundidade e a cientificidade a serem alcançadas.” O próximo passo é a elaboração da problematização que, de acordo com o autor, está vinculada à leitura, delimitação anterior e ao panorama teórico/prático da pesquisa. Por isso, para a formulação do problema é preciso seguir algumas regras básicas como ser formulado como pergunta; ser claro e específico; ser empírico e ser delimitado a uma dimensão viável.

Mais um dos importantes passos para a elaboração de um projeto de pesquisa é a elaboração de uma hipótese que pode ser uma afirmação ou uma negação do problema da pesquisa. “Hipótese é, precisamente, uma resposta provisória ou uma ideia preestabelecida, apresentada como solução do problema a ser investigado. (...) A ideia obtida como hipótese será confirmada ou refutada quando a conclusão do processo de investigação for efetivada.” O próximo passo é a elaboração do objetivo geral, pois é necessário estabelecer aonde se quer chegar com os resultados daquela pesquisa, ou seja, quais são seus objetivos. Esses objetivos podem ser gerais e específicos e devem ser colocados de maneira simples e direta. Outro passo é a elaboração de um roteiro temático, que a maioria das pessoas conhece como sumário ou índice. Consiste em definir os tópicos e subtópicos do seu relatório final da pesquisa. É importante que os assuntos sejam colocados de maneira lógica para facilitar na identificação de cada tópico. O próximo passo é a elaboração dos objetivos específicos que juntos, mostram de forma clara aonde queremos chegar com a pesquisa e o que será feito em cada processo para que possamos atingir o todo da pesquisa. Eles demonstram o que será realizado em cada parte do relatório final, buscando atingir o objetivo geral da pesquisa. O próximo passo, e talvez o mais importante de um projeto de pesquisa, é a elaboração da justificativa. É apresentar de forma convincente o porquê da elaboração daquele projeto de pesquisa. Nela deve conter três elementos: a problematização (uma contextualização das situações em que está situado o problema), a teoria de base da pesquisa (teorias já elaboradas em que a pesquisa é sustentada) e os objetivos (onde se quer chegar com a pesquisa). É por meio da justificativa “que o pesquisador apresenta a relevância no sentido teórico e/ou prático da validade da pesquisa. (...) Por isso, a justificativa deve ser clara, objetiva e dissertativa.”


Dando continuidade aos importantes passos do projeto de pesquisa temos a elaboração dos procedimentos metodológicos. Esses procedimentos devem responder como o projeto será realizado e também explicitar quais instrumentos serão utilizados. “Além desses elementos, é preciso estabelecer: a população, o local (ambiente) e o tempo a ser empregado em cada fase ou etapa; o procedimento de obtenção de dados, de análise e interpretação desses dados; e o procedimento de confecção do relatório final, com os resultados que devem ser apresentados. Portanto, é importante definir a metodologia a partir do problema e dos objetivos.” O próximo passo é estabelecer um cronograma e destacar cronologicamente todas as etapas do processo de pesquisa. Ele pode ser definido de várias formas mas é importante que sejam estabelecidos todos os passos, do início até a entrega do relatório final da pesquisa. Logo depois, é preciso estabelecer a apresentação do projeto que deve seguir um esquema. O autor fala que há varios modelos de projeto, mas alguns pontos são comuns a todos eles. O autor termina mostrando um exemplo de projeto de pesquisa com todos os tópicos apontados por ele no texto. 

sábado, 18 de abril de 2015

Wikinomics

Olá pessoas. Essa semana irei fazer o fichamento do texto Wikinomics, capítulo 1 que fala sobre a arte e a ciência do peering. Peering? O que é isso? Você irá descobrir agora.

O texto começa falando de uma nova era, a era do wikinomics, onde as pessoas estão participando cada vez mais da economia e podem colaborar na produção e distribuição de bens e serviços que antes eram de responsabilidade única das grandes empresas. É aí que entra o negócio do peering, que é a descrição da colaboração entre pessoas e empresas com objetivo de impulsionar o crescimento e a inovação dos produtos e serviços de vários ramos de produção. Alguns exemplos de peering são o Myspace, Youtube, Linux e, claro, nossa querida Wikipédia.

O peering demonstra ser uma atividade social, pois para fazer parte da economia você só precisa de um computador e muita criatividade. E essa criatividade pode ser utilizada não somente para fins comerciais, pois o peering também serve para a colaboração de pesquisas sobre doenças genéticas, descoberta de novos planetas, alerta de mudanças climáticas, etc. Mas para algumas empresas, que não conseguem se encaixar nessa nova realidade tecnológica, o peering é uma ameaça à sua produção e pode significar o fim da economia industrial. Mas para as empresas inteligentes, que conseguem ir além dos próprios muros, essa nova realidade traz mais oportunidades de inovação e crescimento.

A ciência da wikinomics se baseia em quatro novas ideias: abertura, peering, compartilhamento e ação global. Esses são os novos princípios que devem ser utilizados para impulsionar a inovação em todos os ramos da economia. A abertura se relaciona com a necessidade das empresas de sair de sua zona de conforto e procurar novos talentos, novas formas de inovação fora de seus padrões e processos internos. As empresas precisam abrir suas portas e distribuir suas informações para novos parceiros para reduzir os custos de transação e agilizar o metabolismo das redes de produção empresariais.

O peering, como já foi explicado, é um princípio que traz a colaboração de informações e talentos para o desenvolvimento da economia. Com ele, o modelo hierárquico de organização das empresas é substituído por uma rede de compartilhamento de ideias que ajuda no desenvolvimento de projetos de todos os tipos e traz um novo significado para a palavra colaboração. O maior impacto do peering é na produção de bens de informação, como mídia, entretenimento, cultura, mas não há razão para ele parar por aí.

O princípio do compartilhamento pode ser bem controverso, pois as empresas precisam proteger a propriedade intelectual crítica. Porém essas empresas também precisam contribuir com espaços comuns de tecnologia e conhecimento para que possam acelerar o crescimento e a inovação. Principalmente quando esse compartilhamento pode ser feito livremente entre os consumidores na rede. Óbvio que as pessoas vão preferir um cantor que lança 2 álbuns e compartilha o download gratuito do terceiro álbum na internet do que um cantor que não quer abrir mão de sua propriedade intelectual.

O ultimo princípio diz que as empresas precisam agir globalmente. Monitorar globalmente as mudanças nos negócios, utilizar talentos globais, conhecer o mundo, seus mercados, tecnologias e pessoas é a única forma de conseguir competir nesse novo mundo empresarial globalizado. Para isso é necessário “gerenciar os ativos humanos e intelectuais em várias culturas, disciplinas e fronteiras organizacionais” para que permaneça globalmente competitivo e continue tendo espaço para inovar e produzir.

Em resumo, no mundo da wikinomics cada indivíduo tem um papel importante a desempenhar na economia e cada empresa tem a escolha de se acomodar ou se conectar a essa nova forma de colaboração e tirar dessa situação a oportunidade de inovar e se desenvolver nesse mercado cada vez mais competitivo. Essa economia da colaboração fez surgir um novo tipo de economia, onde as empresas coexistem e se conectam com produtores autônomos e juntos criam valor nas redes. Portanto, quem não colabora sucumbe a essa nova e interessante era de mudanças.

Isso é tudo pessoal.

See ya,

Michelly Lira

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Redes sociais na Internet - Raquel Recuero

No texto de hoje falaremos sobre as redes sociais estabelecidas através da comunicação na internet que a autora diz que o interesse por esses estudos vem desde o século XX. O artigo trabalha a partir da perspectiva da análise estrutural das redes sociais e suas aplicações na comunicação mediada pelo computador. Para isso precisa- se estudar primeiro as teorias das redes.

“A análise das redes sociais parte de duas grandes visões do objeto de estudo: as redes inteiras (whole networks) e as redes personalizadas (ego-centered networks) ([Watts, 2003], [Degenne e Forsé, 1999], [Wellman, 1999, 2001 e 2003] e [Garton et. al, 1997])” A primeira visão tem seu foco na estruturação da rede com o grupo social e a segunda visão tem foco no papel social de um indivíduo no grupo. Portanto, o foco da análise de redes sociais são os padrões de relações que existem entre as pessoas. ‘’Para ir além dos atributos individuais e considerar as relações entre os atores sociais, a análise das redes sociais busca focar-se em novas "unidades de análise", tais como: relações (caracterizadas por conteúdo, direção e força), laços sociais (que conectam pares de atores através de uma ou mais relações), multiplexidade (quanto mais relações um laço social possui, maior a sua multiplexidade) e composição do laço social (derivada dos atributos individuais dos atores envolvidos).’’

Os sociólogos inicialmente acreditavam em unidades básicas das redes sociais, como as díades (relação entre duas pessoas) e as tríades (relação entre duas pessoas e mais um amigo em comum). Pensando assim, a análise estrutural tem foco na interação como meio fundamental do estabelecimento de relações sociais entre os indivíduos que constituem essas redes, seja no mundo real ou virtual.

Com o passar do tempo foram sendo criados modelos que tentavam explicar as características e as propriedades dessas redes sociais. “Para Watts, é preciso levar em conta que nas redes, os elementos estão sempre em ação, "fazendo algo", e que elas são dinâmicas, estão evoluindo e mudando com o tempo. Portanto, a questão crucial para a compreensão dessas redes sociais passava também pela sua dinâmica de sua construção e manutenção.” Ele acreditava que essa estrutura não era determinada, mas sim mutante no tempo e no espaço.

O modelo de redes aleatórias defendido por Paul Erdos e Alfred Rényi dizia que a conexão entre as pessoas para se formar a rede social era randômica. “Eles acreditavam que o processo de formação dos grafos era randômico, no sentido de que esses nós se agregavam aleatoriamente. Dessa premissa, Erdös e Rényi concluíram que todos os nós, em uma determinada rede, deveriam ter mais ou menos a mesma quantidade de conexões, ou igualdade nas chances de receber novos links, constituindo-se, assim, como redes igualitárias (Barabási, 2003: 9-24). Para os autores, quanto mais complexa era a rede analisada, maiores as chances dela ser randômica.”

Já o sociólogo Mark Granovetter acreditava que os laços fracos eram muito mais importantes na manutenção da rede social do que os laços fortes. “Granovetter mostrou também que pessoas que compartilhavam laços fortes (de amigos próximos, por exemplo) em geral participavam de um mesmo círculo social (de um mesmo grupo que seria altamente clusterizado). Já aquelas pessoas com quem se tinha um laço mais fraco, ou seja, conhecidos ou amigos distantes, eram justamente importantes porque conectariam vários grupos sociais. Sem elas, os vários clusters existiriam como ilhas isoladas e não como rede.” Assim, para ele, as redes sociais não são simplesmente randômicas, mas há nelas alguma ordem. 

Com a mesma linha de raciocínio em relação à ordem na estruturação das redes sociais Barabási denominou uma lei chamada "rich get richer- ricos ficam mais ricos.” Sobre esta ele explica que “As redes não seriam constituídas de nós igualitários, ou seja, com a possibilidade de ter, mais ou menos, o mesmo número de conexões. Ao contrário, tais redes possuriam nós que seriam altamente conectados (hubs ou conectores) e uma grande maioria de nós com poucas conexões. Os hubs seriam os "ricos", que tenderiam a receber sempre mais conexões. As redes com essas características foram denominadas por ele "sem escalas"13 (scale free).”

Há uma crítica em relação ao Orkut. A autora diz que ele não poderia ser considerado uma rede social visto que a interação social não é pressuposto para a conexão e muitas vezes é até dispensável. Ela explica que “A dinâmica do estabelecimento dos laços sociais como a de "ricos que ficam mais ricos" é de difícil análise neste software. Isso porque as pessoas populares atuam voluntariamente no estabelecimento de conexões, não sendo possível falar em "conexão preferencial", na medida em que não são os novos nós que se conectam aos hubs, mas estes que se conectam aos novos nós com o objetivo de aumentar a popularidade. O que observamos é que existe algum tipo de "conexão preferencial"unicamente com relação a atitude dos novos nós de procurarem "conhecidos" e tentar adicioná-los como amigos, na tentativa de reproduzir redes sociais do mundo offline.”

Ainda dando exemplos de redes sociais a autora cita os weblogs e fotologs e diz que cada um representa um indivíduo ou um grupo e a exposição de sua individualidade. “Um weblog poderia ser considerado um hub social na medida em que muitas pessoas relacionamse com o blogueiro através dos comentários. Do mesmo modo, um fotolog pode ser um hub na medida em que possui muitas conexões sociais entre as pessoas que ali interagem.” Nesses sistemas a interação é muito mais fácil de ser observada visto que ela se repete, pois é feita através de comentários e cada um destes pode ser considerado uma nova conexão. 

A autora faz uma crítica aos modelos de estruturação das redes sociais feitos pelos autores citados. Pois ela diz que todos pecaram ao se esquecer que as propriedades dessas estruturas são determinadas pelas interações em si, pois essas redes não são estáticas e sim muito dinâmicas. Portanto, ela afirma que “os modelos de análise das redes propostos por Erdös e Rényi, Watts e Strogatz e Barabási são insuficientes no sentido de perceber as complexidades de uma rede social na Internet. Isso porque esses modelos, apesar de afirmarem sua aplicabilidade para as redes sociais, falham em levar em conta as premissas mais básicas da análise social.”

Em conclusão, a autora afirma que todos os modelos apontados apresentam falhas quando aplicados às redes sociais na Internet por dar mais valor à natureza matemática do que investigativa sobre as conexões e pela falta de importância dada à interação para a constituição dos laços formados entre as pessoas nas redes sociais.

Isso é tudo pessoal.

See ya,

Michelly Lira.

domingo, 29 de março de 2015

A Cauda Longa - Capítulos 1 e 5, de Chris Anderson.

O que pode fazer a diferença entre dois livros que falam sobre o mesmo assunto? Você pode dizer “qualidade, história mais envolvente, preço”. Sim, esses são alguns diferenciais, mas em relação à mídia o que realmente faz a diferença é a divulgação boca a boca online. Quando vai numa loja online pra comprar um livro, você dá mais crédito à resenha feita pelo site da loja ou uma resenha ou comentário feito pelas pessoas que já compraram aquele livro? Claro que a segunda opção é mais confiável. E é disso que se trata a divulgação boca a boca. Mas isso não acontece apenas nas livrarias online. Essa é uma nova característica que as indústrias da mídia e do entretenimento estão tendo que se acostumar a conviver. Os consumidores estão pesquisando mais e estão mais atentos a todos os tipos de informações sobre os produtos que eles podem obter no mundo da internet.

Uma grande restrição do mundo físico do mercado é o fato de que não importa se determinado produto tem ótimas críticas e é capaz de atrair o público em geral. O que importa é se esse produto terá demanda suficiente em uma determinada região onde está sendo vendido. Ficou difícil de entender? Pois o autor dá um exemplo que eu acho perfeito para esse tipo de situação. Um documentário super aclamado pela crítica e que conseguiu criar um grande buzz entre os amantes do cinema não será necessariamente uma boa escolha para exibição em todos os cinemas locais. O que importa é quantas pessoas o verão em determinada sala de cinema. Por isso, muitas vezes, o cinema acaba comportando apenas grandes blockbusters que trazem milhões para suas salas. Essa foi a grande solução encontrada pela industria do entretenimento: focar nos hits. Não existia tempo nem espaço suficiente para comportar todos os gostos diferentes dos consumidores. Então para não perder dinheiro as industrias focavam no que estava na moda, no que atraía o maior numero de consumidores de uma vez só. Mas isso, felizmente, mudou com a distribuição e o varejo online. Agora a diferença importa, a diferença vende.

Aqui entra a explicação do termo Cauda Longa. Ele se refere a todos aqueles produtos que não são hits, que são diferentes e que se encontram em baixa no gráfico de vendas, porém por serem tão diversos se arrastam pelo gráfico como uma grande cauda, fazendo com que essa variedade tão grande de produtos venda quase tanto quanto os hits e portanto se tornando um mercado rival. Como exemplo disso, o autor traz o Google que ganha boa parte do seu dinheiro não com anúncios de grandes empresas, mas com a propaganda de pequenos negócios. É como Kevin Laws, capitalista de risco e ex-consultor da indústria de música disse “O dinheiro de verdade está nas menores vendas."  

O autor diz que “Pela primeira vez na história, os hits e os nichos estão em igualdade de condições econômicas, ambos não passam de arquivos em bancos de dados, ambos com iguais custos de carregamento e a mesma rentabilidade. De repente, a popularidade não mais detém o monopólio da lucratividade.” A natureza do mercado está se modificando cada vez mais. A grande maioria das mercadorias não se encontra mais nas lojas físicas. É uma nova demanda criando um loop de feedback positivo que modifica não apenas o mercado cultural mas também a cultura em si.

No capítulo cinco o autor discute sobre a democratização das ferramentas de produção. Ele dá vários exemplos de como se dá essa democratização, mas acho que o mais fácil de entender é o que diz respeito aos blogs. Estes tornaram possível para qualquer pessoa a editoração online e fizeram com que todos pudessem ter a chance de lançar publicações diárias para um público específico e tivessem tanto poder de influencia quanto qualquer veiculo da grande mídia. Ou seja, como o próprio autor diz: “A consequência de tudo isso é que estamos deixando de ser apenas consumidores passivos para passar a atuar como produtores ativos.” Como os meios de produção estão se difundindo cada vez mais, a tendência é que a produção “amadora” se expanda fazendo com que a Cauda Longa cresça num ritmo nunca visto antes.

Porém, o autor diz que assim como a Wikipédia, os blogs não podem ser sua fonte determinante sobre determinado assunto. Eles são uma forma de Cauda Longa, e esta, por ser tão diversa e variável não pode ser absolutamente crível sobre a qualidade ou natureza de seu conteúdo. Porém, quando vistos em conjunto, os blogs se revelam mais confiáveis do que as grandes mídias. É só saber pesquisar. Como o próprio autor coloca “(...) algumas coisas serão ótimas, outras serão medíocres e ainda outras serão lixo. Essa é a própria natureza da coisa. O erro de muitos críticos é esperar algo diferente.”

Esse novo fenômeno de produção voluntariada e amadora possibilitado pela internet, é chamado pelo autor de mundo da "peer production" (produção colaborativa ou entre pares). É uma nova era de produção em que a maioria dos produtores não é remunerado. Isso acontece porque na Cauda Longa os custos de produção e distribuição são muito baixos, e graças a essa democratização das tecnologias digitais o aspecto comercial acaba ficando em segundo plano. As pessoas produzem por diversão, por amor. Portanto a motivação para a produção não é econômica, e a moeda não é mais o dinheiro e sim a reputação. As pessoas querem ser notadas e levadas em consideração. Esse fenômeno foi denominado por Tim Wu, professor de direito da Columbia University como "cultura da exposição". Usando os blogs como exemplo ele explica: “A cultura da exposição reflete a filosofia da Web, na qual ser percebido é tudo. Os autores da Web se ligam uns aos outros, citam com liberalidade e, às vezes, comentam ou anotam artigos inteiros. (...) O grande pecado da cultura da exposição não é copiar, mas, era vez disso, deixar de citar de maneira adequada a autoria. No centro dessa cultura da exposição situa-se a todo poderoso software de pesquisa. Se for fácil encontrar o seu site no Google — não o acione em juízo, comemore.” Cada criador encara seus direitos de propriedade intelectual sobre uma perspectiva.

Para finalizar a discussão sobre a Cauda Longa, deixo um pensamento do autor que resume sua importância e sua relevância para essa nova forma de mercado do entretenimento a que estamos sujeitos. “Uma das grandes diferenças entre a cabeça e a cauda dos produtores é que, quanto mais se desce na cauda, maior é a probabilidade de que se tenha de manter outro trabalho regular. E não há nada de errado nisso. A diferença entre produtores "profissionais" e "amadores" torna-se cada vez mais nebulosa e é bem possível que acabe perdendo a relevância. Não fazemos apenas aquilo por que somos remunerados, mas também aquilo que queremos. E ambos os tipos de atividades podem ser valiosos.” O fato de você estar lendo sobre isso aqui e não num site especializado sobre o assunto, é prova suficiente de que esse fenômeno é real e só tende a crescer.

Isso é tudo pessoal.

See ya,

Michelly Lira.